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Diploma australiano e emprego na área: por que o estudante brasileiro precisa de um plano

News · 2026-10-07 · 6 min read

Brasileira organiza xícaras em uma bandeja enquanto colega recolhe a louça em um café australiano com luz natural.

Muita família brasileira junta dinheiro por anos para que um filho ou uma filha estude na Austrália. A ideia parece clara: tirar um bom diploma e, depois, conseguir um bom emprego. Um estudo do governo australiano mostra que a segunda parte costuma ser bem mais difícil do que se imagina. Mais da metade dos formados internacionais que trabalham no país está em funções abaixo da sua qualificação. Vale conhecer esses números antes de pagar qualquer mensalidade.

Um estudo que acompanhou estudantes por mais de uma década

O International Students Pathways and Outcomes Study, da Jobs and Skills Australia, órgão do governo federal, foi publicado em setembro de 2025. Ele acompanhou quem começou a estudar na Austrália em 2010-11 e analisou o que aconteceu com essas pessoas até o fim de 2023. Como os dados param aí, o estudo não mostra o efeito das mudanças feitas depois pela Estratégia de Migração (Migration Strategy) do governo.

Ficar no país não significa trabalhar na área

O principal achado é sobre o tipo de trabalho. Entre os formados internacionais com qualificação no nível mais alto de exigência profissional, mais da metade trabalhava em funções que pediam menos qualificação. Entre os formados australianos, essa parcela ficava entre 20 e 30%.

Os formados internacionais que ficaram também tinham menos chance de trabalhar na área em que estudaram, principalmente quem fez faculdade, em comparação com quem fez cursos técnicos (vocational education and training, VET). E, em média, ganhavam menos que os formados australianos com a mesma qualificação.

Quantos conseguiram a residência permanente

Entre 35 e 40% dos estudantes que começaram no início dos anos 2010 conseguiram a residência permanente em até 10 anos. Entre os formados de faculdade e de cursos técnicos que puderam ser identificados nos dados de impostos e de emprego, a parcela foi maior: mais da metade obteve a residência em uma década. Ou seja, muita gente conseguiu ficar, mas ficar nem sempre levou a uma carreira na área de formação.

As barreiras apontadas pelo estudo

  • o nível de inglês;
  • pouca experiência prática de trabalho na Austrália;
  • empregadores inseguros com vistos temporários;
  • dificuldade para ter a experiência no exterior reconhecida;
  • preconceito na seleção;
  • a visão, entre alguns empregadores, de que formados internacionais estão menos prontos para o trabalho.

Como o estudante brasileiro pode se preparar

Você não controla a cabeça de cada empregador, mas pode atacar várias dessas barreiras muito antes de se formar.

  • Inglês desde cedo. Se o curso, o visto ou o empregador pedir IELTS ou PTE, trate a prova como uma habilidade a desenvolver, e não só um teste. O PractiseNow ajuda a treinar para essas provas.
  • Experiência local. Procure estágios ou trabalhos ligados ao seu curso, para que o seu CV mostre experiência australiana na formatura.
  • Experiência no Brasil bem documentada. Declarações dos empregadores em papel timbrado e a carteira de trabalho (CTPS), com tradução para o inglês quando pedirem, ajudam a mostrar o que você já fez.
  • Currículo em inglês. Explique a sua formação e o seu trabalho no Brasil de um jeito que um empregador australiano entenda rápido. O Build AI CV ajuda a montar esse CV.
  • Documentos em ordem. Diploma, histórico escolar e passaporte com o nome escrito igual em todos. Se pedirem atestado de antecedentes, a Certidão de Antecedentes Criminais da Polícia Federal sai online pelo gov.br.

Lembre também que o visto de estudante é diferente do patrocínio do empregador. Se o seu objetivo principal é trabalhar, conheça as vagas com patrocínio de visto e leia por que as suas funções contam mais que o cargo e o que o fim do Graduate Diploma of Management significa para estudantes internacionais. Para informações sobre estudar no país, o site oficial Study Australia é um bom começo.

Por que o governo australiano está de olho

A educação internacional rendeu mais de 50 bilhões de dólares à economia australiana em 2023-24, e os formados são vistos como uma possível resposta à falta de profissionais. Para a Jobs and Skills Australia, quem fica pode contribuir muito para a força de trabalho futura, mas a passagem fraca dos estudos para empregos qualificados limita esse potencial.

O tema também está na política. Um senador de um partido menor quer cortar muito o número de estudantes, enquanto o ministro da Educação defende o sistema. Ele diz que a maioria volta para casa e que faz sentido manter alguns formados em profissões de que o país precisa, como médicos e enfermeiros formados lá que trabalham por um tempo em hospitais australianos. Também admitiu que algumas instituições de má qualidade tentaram se aproveitar do sistema. O nível de planejamento é de 295.000 novos estudantes internacionais em 2026, mantido em 2027. As novas matrículas deste ano estão 8% abaixo do mesmo período de 2025 e 13% abaixo de 2019.

Perguntas frequentes

Um diploma australiano leva a um emprego na área?

Nem sempre. O estudo mostrou que mais da metade dos formados internacionais no nível mais alto de qualificação trabalhava em funções que exigiam menos. Planejar a carreira desde o início faz diferença.

Quantos estudantes internacionais ficaram de vez na Austrália?

Entre 35 e 40% dos que começaram no início dos anos 2010 conseguiram a residência permanente em até 10 anos. Entre os formados identificados nos dados de impostos e emprego, foi mais da metade.

O estudo já considera as regras de migração atuais?

Não. Ele analisou as regras só até o fim de 2023, antes das mudanças da Estratégia de Migração. Os resultados mostram tendências, não o cenário de hoje.

O que mais atrapalha o formado estrangeiro?

O estudo cita o inglês, a falta de experiência local, a insegurança dos empregadores com vistos temporários e a dificuldade de reconhecer a experiência no exterior. Também aparecem o preconceito na seleção e a visão de que formados internacionais estão menos prontos.

Pontos principais

  • Mais da metade dos formados internacionais no nível mais alto trabalhava abaixo da qualificação.
  • Entre os formados australianos, a parcela ficava entre 20 e 30%.
  • Entre 35 e 40% conseguiram a residência permanente em até 10 anos.
  • Inglês, experiência local e um bom CV atacam várias das barreiras.
  • Vá para a Austrália com um plano para o emprego, não só para o diploma.

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