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Brasileiro de olho na Austrália: o que é a NOM e por que ela pode mexer no seu visto?

News · 2026-08-26 · 7 min read

Casal caminha com uma mala à beira da baía de Sydney, com a Ópera ao fundo sob a luz do sol.

Quem planeja trabalhar na Austrália costuma pensar no inglês, na profissão e na vaga. Mas existe uma sigla que anda guiando o rumo dos vistos no país e que pouca gente no Brasil conhece: NOM, de Net Overseas Migration, a migração líquida internacional. Virou o número que todos os partidos australianos citam, discutem e prometem baixar. Saber o que ele mede ajuda você a entender melhor as mudanças de visto que podem aparecer nos próximos meses.

Como a NOM é calculada

A ideia básica é simples. A NOM soma as pessoas que chegam à Austrália e ficam pelo menos um ano, e desconta quem sai do país para morar fora. O detalhe está na chamada regra dos 12/16 meses. Ninguém precisa ficar 12 meses seguidos: entra na conta quem passa 12 meses no país dentro de qualquer período de 16 meses, mesmo em várias estadas. Um estudante que volta ao Brasil por um mês para ver a família e depois retorna continua contando, desde que o tempo somado feche.

Outro ponto que confunde muita gente: a NOM não mede só estrangeiros. Ela inclui australianos e residentes permanentes que voltam para casa e neozelandeses que atravessam o mar da Tasmânia para morar na Austrália. São grupos que quase não dependem de visto, e por isso o governo não consegue controlá-los pela política de vistos. Diplomatas e suas famílias ficam totalmente de fora. Já os trabalhadores do Pacific Australia Labour Mobility (PALM), o programa que leva trabalhadores das ilhas do Pacífico para temporadas no campo, às vezes de poucos meses, podem entrar ou não, conforme a duração da temporada.

Os números por trás da discussão

Os dados mais recentes apontam uma NOM de cerca de 301.000 pessoas no ano encerrado em dezembro de 2025. É bem menos que o pico de aproximadamente 556.000 registrado em 2023, mas ainda acima do que o próprio governo projetava. O Tesouro australiano (Treasury) prevê uma queda para 225.000 no ano fiscal 2027–28. O problema é que, nos últimos anos, as previsões ficaram sempre abaixo do número real. Prometer um número é uma coisa; chegar nele é outra, quando boa parte do movimento vem de cidadãos que voltam e de neozelandeses.

Olhar de onde vêm as chegadas diz mais do que o número total. No ano fiscal 2024–25, a divisão foi esta:

GrupoChegadas (aprox.)Depende da política de vistos?
Estudantes internacionais157.000Sim
Vistos de qualificação (permanentes e temporários)86.000Sim
Working holiday78.000Sim
Cidadãos australianos voltando para casa64.000Praticamente não
Cidadãos da Nova Zelândia53.000Praticamente não
Reunião familiar24.000Sim
Vistos humanitáriospouco menos de 15.000Sim

Os estudantes formam o maior grupo, a maioria no ensino superior. Por isso o visto de estudante virou o alvo mais visível de quem quer reduzir a NOM.

O que cada partido propõe

Todos os grandes partidos dizem que querem baixar a NOM, mas o nível de detalhe varia muito.

  • One Nation: assumiu publicamente uma meta de 130.000. Um parlamentar novo do partido chegou a dizer que o número "real", contando os trabalhadores do PALM e os enfermeiros do cuidado de idosos, ficaria mais perto dos 225.000 do Tesouro, mas a direção recuou e reafirmou os 130.000. Na mira estão os vistos de pós-formatura (graduate visas), o número de estudantes internacionais e uma lista de ocupações qualificadas mais enxuta.
  • Coalizão (Coalition): ainda sem número fechado, quer ligar o teto ao ritmo de construção de moradias, com sinais de que ficaria abaixo de 200.000. Um senador falou em 180.000, com cortes em working holiday, estudantes e alguns vistos de qualificação. Outros nomes do partido se afastaram da ideia, já que muitos empregadores do interior dependem de quem está de working holiday para o trabalho sazonal.
  • Partido Trabalhista (Labor): adotou na prática a projeção de 225.000 até 2028 como meta e prefere fiscalização a cortes amplos: fazer com que quem tem visto temporário saia do país quando o visto vence e, enquanto isso, desacelerar a análise de pedidos de working holiday e de vistos de qualificação.

Esse debate não é novo. Para ver como ele começou, leia o nosso artigo sobre o recorde nos números de migração da Austrália e o que o teto proposto pela Coalizão pode significar para trabalhadores qualificados.

O que isso muda para quem está no Brasil

Para quem pensa em se mudar, o número da NOM importa menos do que os vistos que estão sob pressão: estudante, pós-formatura, working holiday e parte da lista de ocupações qualificadas. Nessas categorias, prazos de análise, regras de elegibilidade e tetos anuais têm mais chance de mudar em pouco tempo do que nos vistos de família ou humanitários. Como os números reais costumam se afastar das projeções, trate qualquer meta anunciada como uma direção, não como uma promessa. E acompanhe os detalhes oficiais quando forem publicados, não os discursos.

Muitos brasileiros chegam à Austrália como estudantes. Vale lembrar: o visto de estudante e o working holiday são vistos diferentes do patrocínio de um empregador. Trabalhar com um deles não transforma o seu visto em um visto patrocinado. Se a ideia é trabalhar no país com mais estabilidade, o caminho passa por um empregador disposto a patrocinar. Você pode conferir as vagas com patrocínio de visto na Austrália e na Nova Zelândia abertas hoje.

Erros comuns ao acompanhar esse debate

  • Achar que a meta de um partido já é regra. Proposta é proposta até virar norma oficial.
  • Contar com o visto de estudante ou o working holiday como se fossem patrocínio de empregador.
  • Deixar a papelada para depois: passaporte, diploma, histórico escolar e comprovantes de experiência, com o nome escrito igual ao do passaporte em todos eles.
  • Pagar alguém por uma oferta de emprego ou por um patrocínio. Isso é ilegal na Austrália. Taxa de consulta e honorários de agente de migração são legais, mas pague só a agentes de migração registrados, com contrato por escrito e recibo.
  • Confiar em quem promete um visto ou pressiona você a fazer um PIX para uma conta pessoal.

Perguntas frequentes

O que significa NOM?

É a sigla de Net Overseas Migration, a migração líquida internacional da Austrália. Mede quantas pessoas chegam e ficam pelo menos um ano, menos as que saem para morar fora. Entram na conta estrangeiros, australianos que voltam e neozelandeses.

Uma viagem ao Brasil tira o estudante da conta?

Não necessariamente. Pela regra dos 12/16 meses, conta quem soma 12 meses no país dentro de um período de 16 meses. Uma viagem de um mês não muda isso se o tempo total fechar.

A meta de 225.000 já é lei?

Não. É a projeção do Tesouro para 2027–28, que o Partido Trabalhista adotou como meta. Os outros partidos falam em números diferentes, e nada disso é regra de visto por enquanto.

Quais vistos têm mais chance de mudar?

Os que estão no centro do debate: estudante, pós-formatura, working holiday e parte da lista de ocupações qualificadas. Família e humanitário aparecem bem menos. Acompanhe sempre as páginas oficiais do Departamento de Assuntos Internos (Department of Home Affairs).

Pontos principais

  • A NOM mede quem chega e fica pelo menos um ano, menos quem sai para morar fora.
  • Ela inclui australianos e neozelandeses, que quase não dependem de visto.
  • Ficou em cerca de 301.000 no ano encerrado em dezembro de 2025; o Tesouro projeta 225.000 em 2027–28.
  • Estudante, pós-formatura, working holiday e parte dos vistos de qualificação estão sob pressão.
  • Visto de estudante e working holiday não são patrocínio de empregador.

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