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Encanadores na Nova Zelândia: o que a falta de 1.450 profissionais significa para você

News · 2026-08-31 · 5 min read

Encanadora ajusta uma tubulação de cobre com a ajuda de um colega em uma casa em reforma na Nova Zelândia.

Por trás de cada torneira, cano e linha de gás das casas e cidades da Nova Zelândia, existe uma falta de profissionais que cresce em silêncio. E ela tem tanto a ver com migração quanto com a formação de aprendizes.

Uma consultoria de previsões econômicas estima que o país vai precisar preencher cerca de 1.450 vagas de encanamento, instalação de gás e drenagem (plumbing, gasfitting and drainlaying) só no próximo ano. Os motivos: profissionais envelhecendo, muita gente indo para a Austrália e a construção civil voltando a crescer. O problema é que a Nova Zelândia não forma gente suficiente para repor essas saídas.

Poucos aprendizes no caminho

A entidade do setor aponta números duros: menos de uma em cada cinco empresas de encanamento aceita aprendizes hoje. Na construção civil como um todo, esse índice cai para algo entre 10% e 15%. O número de novos aprendizes caiu de novo neste ano, depois de uma queda forte no ano anterior. Com margens apertadas durante a recessão, as empresas menores tiveram dificuldade para bancar aprendizes nos primeiros meses, quando ainda produzem pouco.

Profissionais experientes descrevem o aprendizado como um investimento lento: muitas vezes são cinco anos até a empresa ter retorno. Por isso, é uma das primeiras coisas cortadas quando o trabalho diminui e uma das últimas a voltar.

Para onde vão os encanadores formados

O que chama atenção é o destino de quem se forma: essas pessoas não saem da profissão, saem do país. Encanadores recém-certificados atravessam o mar da Tasmânia em busca de pagamentos na Austrália que podem chegar perto do dobro, saindo de cerca de NZ$30 por hora para AU$55. Algumas estimativas de turmas recentes indicam que quase metade dos formandos pode se mudar para a Austrália pouco depois de se qualificar.

Esse movimento cria pressão dos dois lados. A Nova Zelândia precisa olhar para além dos profissionais locais, e a Austrália reforça sua atração sobre trabalhadores de ofícios qualificados de outros países. Se você tem interesse nos dois mercados, vale ler nosso artigo sobre os ofícios técnicos como caminho para trabalhar na Austrália.

Uma profissão que envelhece

A idade pesa. O profissional certificador (certifying) de encanamento, gás ou drenagem na Nova Zelândia tem, em média, 49 anos. Os números do setor indicam que cerca de 1.000 profissionais ainda na ativa já passaram dos 65 anos e estão perto da aposentadoria. Como esses ofícios cuidam de coisas essenciais, como água potável segura, saneamento e fornecimento de gás, a falta deles vai muito além do atraso em obras.

Talentos que o setor ainda não aproveita

Profissionais veteranos apontam duas saídas além de formar mais aprendizes. A primeira é abrir a porta para mais gente: as mulheres são menos de um por cento dos profissionais licenciados de encanamento, gás e drenagem no país, embora muitas candidatas digam que mal conseguem uma entrevista.

A segunda é olhar para fora. Com menos aprendizes e com os cursos enfrentando problemas, como oferta irregular, falta de instrutores e equipamentos velhos, a migração qualificada deixa de ser uma alternativa e passa a ser uma necessidade para manter obras essenciais funcionando.

O que isso significa para profissionais brasileiros

Para encanadores, gasistas e instaladores de drenagem com experiência, a Nova Zelândia mostra uma procura real e duradoura. Mas procura não é visto. Para trabalhar no país com patrocínio, você precisa de uma oferta de um empregador e de um novo pedido de visto. Se você já está lá com visto de estudante ou de working holiday, esse é outro visto, diferente do patrocínio do empregador. Confira as vagas com patrocínio na Nova Zelândia e leia nosso artigo sobre recomeçar a carreira de ofício na Nova Zelândia.

Erros comuns de quem quer trabalhar com encanamento na Nova Zelândia

  • Achar que a falta de profissionais basta para conseguir um visto. É preciso uma oferta de emprego e um pedido de visto.
  • Esquecer que a profissão é licenciada no país. Confira nas páginas oficiais o que vale para a sua qualificação antes de se mudar.
  • Montar o currículo sem detalhar o tipo de serviço feito: instalações hidráulicas, gás, drenagem, obras residenciais ou comerciais.
  • Pagar alguém por uma oferta de emprego ou por patrocínio. Isso é ilegal na Nova Zelândia.

Perguntas frequentes

Quantos encanadores a Nova Zelândia precisa?

A estimativa é de cerca de 1.450 vagas de encanamento, gás e drenagem para preencher no próximo ano. A conta inclui aposentadorias, saídas para a Austrália e a retomada da construção civil.

Por que tantos profissionais vão para a Austrália?

Pelo pagamento. Recém-formados podem passar de cerca de NZ$30 por hora para AU$55 na Austrália. Algumas estimativas indicam que quase metade de uma turma pode se mudar pouco depois de se qualificar.

Qual é a idade média dos profissionais no país?

O profissional certificador tem, em média, 49 anos. Cerca de 1.000 profissionais na ativa já passaram dos 65 anos.

Brasileiros podem se candidatar a essas vagas?

As vagas são abertas a todas as nacionalidades. Cada anúncio tem suas exigências de experiência e qualificação, e trabalhar com patrocínio depende de uma oferta de emprego e de um visto de trabalho.

Pontos principais

  • A Nova Zelândia deve precisar de cerca de 1.450 profissionais de encanamento, gás e drenagem no próximo ano.
  • Poucas empresas aceitam aprendizes, e o número de novos aprendizes caiu de novo.
  • Muitos recém-formados vão para a Austrália em busca de pagamentos maiores.
  • A média de idade é de 49 anos, e cerca de 1.000 profissionais já passaram dos 65.
  • Procura não é visto: trabalhar com patrocínio exige uma oferta de emprego.

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