Mais de 1.500 pedidos em duas semanas: o que a nova residência por experiência na Nova Zelândia diz a brasileiros
Visa guide · 2026-09-19 · 6 min read

Mais de 1.500 pessoas pediram residência pelos novos caminhos para profissionais qualificados da Nova Zelândia nas duas primeiras semanas. A procura foi maior do que o próprio governo esperava. Para quem acompanha o mercado, porém, o número mais revelador não é a corrida, e sim o que ela mostra sobre o sistema antigo, que já não funcionava nem para os migrantes nem para os empregadores.
Se você é brasileiro e pensa em trabalhar na Nova Zelândia, ou já está lá, entender essa mudança ajuda a planejar os próximos passos.
O caminho antigo estava praticamente parado
Os números oficiais mostram que a antiga Skilled Migrant Category aprovou só seis pedidos no ano de 2024/25, e nenhum no período parcial seguinte. Na prática, o principal caminho de residência para profissionais qualificados tinha travado, enquanto quase 19.324 pedidos de residência esperavam na fila, somando todas as categorias, em meados de 2026.
Com esse histórico, os 1.500 pedidos em duas semanas parecem menos uma surpresa e mais uma represa que finalmente se abriu. Empresas passaram anos trazendo profissionais com vistos temporários sem um caminho realista para ficar, e esses trabalhadores construíram carreira no país sem poder criar raízes.
Dois caminhos novos, focados no que você sabe fazer
A resposta do governo foram dois caminhos lançados em 24 de agosto de 2026:
- Skilled Work Experience: para ocupações ANZSCO de nível 1 a 3, com salário de pelo menos 1,1 vez a mediana e cinco anos de experiência relevante.
- Trades and Technician: para ofícios específicos, com uma qualificação de nível 4 (Level 4) e quatro anos de experiência prática.
Os dois seguem a mesma lógica: valorizar o que a pessoa consegue fazer, e não só os diplomas que ela tem. Para quem aprendeu a profissão no dia a dia, e não em anos de estudo formal, é uma mudança importante. Esse grupo era o mais prejudicado pelo sistema antigo, muito baseado em pontos. Se você trabalha num ofício no Brasil, vale ler nosso artigo sobre o caminho Trades and Technician.
Educação infantil: o setor que mais precisava
Nenhum grupo mostra melhor o que estava em jogo do que os professores de educação infantil. Mais de 200 dos primeiros 1.500 pedidos vieram desse setor. Faz sentido: os centros de educação infantil dependiam cada vez mais de profissionais estrangeiros para continuar abertos. Em janeiro de 2025, mais de 1.000 professores da área trabalhavam na Nova Zelândia com o Accredited Employer Work Visa (AEWV), o visto de trabalho para empregadores credenciados, um aumento de 25% em menos de um ano. O governo chegou a pagar um incentivo por contratação feita no exterior.
O problema é que nenhum desses professores tinha um caminho para a residência. O setor alertava havia meses que, sem isso, perderia os profissionais assim que os vistos vencessem. O novo caminho fecha essa lacuna.
Ofícios: mais gente qualificada, mais aprendizes locais
O segundo grande grupo foi o de profissionais de ofícios: ajustadores mecânicos (fitters), marceneiros (joiners), técnicos de eletrônica e pessoal de construção, engenharia e tecnologia. Entidades do setor passaram quase um ano dizendo que o sistema antigo, centrado em diplomas, barrava justamente os trabalhadores que as empresas mais precisavam.
O argumento delas chama atenção: um profissional experiente não só ocupa uma vaga, mas também aumenta a capacidade da empresa de treinar aprendizes locais. A migração aparece como apoio à formação de mão de obra no país, e não como concorrência.
O outro lado: uma Green List mais enxuta
Junto com a abertura veio um aperto. O governo confirmou uma revisão da Green List, a lista de ocupações que hoje dão acesso direto à residência sem que o empregador precise anunciar a vaga localmente antes. Algumas funções devem sair da lista, e setores como saúde e engenharia, que dependiam dela, provavelmente terão novas exigências de anúncio local.
Ou seja, não é uma abertura geral. É um ajuste: caminhos baseados em experiência para setores com falta real de mão de obra e mais rigor em outras áreas.
O que isso significa para brasileiros
Muitos brasileiros conhecem a Nova Zelândia pelo working holiday. Esse visto é diferente do AEWV, que depende de um empregador credenciado, e trabalhar numa temporada de working holiday não é patrocínio. Os novos caminhos pedem anos de experiência comprovada, então guarde declarações de empregadores, a carteira de trabalho (CTPS) e documentos que mostrem sua função, com tradução para o inglês quando for pedida, e use a mesma grafia do nome do passaporte em tudo. Para conferir as regras, consulte a Immigration New Zealand (INZ). Veja também as vagas na Nova Zelândia e nosso guia sobre a reforma da imigração no país.
Erros comuns de quem mira a residência na Nova Zelândia
- Achar que o working holiday conta como patrocínio de um empregador.
- Deixar para juntar provas de experiência só na hora do pedido.
- Contar com a Green List sem acompanhar a revisão em andamento.
- Pagar alguém por uma vaga ou por patrocínio. Isso é ilegal na Nova Zelândia; pague taxas de assessoria só a consultores de imigração licenciados, com contrato e recibo.
Perguntas frequentes
Quando os novos caminhos de residência começaram?
Os dois caminhos foram lançados em 24 de agosto de 2026. Em duas semanas, mais de 1.500 pessoas fizeram o pedido.
O que pede o Skilled Work Experience?
Uma ocupação ANZSCO de nível 1 a 3, salário de pelo menos 1,1 vez a mediana e cinco anos de experiência relevante.
E o Trades and Technician?
Ele é para ofícios específicos e pede uma qualificação de nível 4 e quatro anos de experiência prática.
A Green List vai mudar?
Ela está em revisão, e algumas funções devem sair da lista. Saúde e engenharia provavelmente terão novas exigências de anúncio local.
Por que tantos professores de educação infantil pediram?
Mais de 1.000 deles trabalhavam com AEWV em janeiro de 2025, sem caminho para a residência. Mais de 200 dos primeiros pedidos vieram desse setor.
Pontos principais
- Mais de 1.500 pedidos chegaram nas duas primeiras semanas dos novos caminhos.
- A antiga Skilled Migrant Category aprovou só seis pedidos em 2024/25.
- Os novos caminhos valorizam experiência: cinco anos no Skilled Work Experience e quatro no Trades and Technician.
- A Green List está em revisão e pode ficar mais enxuta.
- Working holiday é um visto diferente do AEWV patrocinado por um empregador credenciado.
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