← Todos os artigos

Visto para a Nova Zelândia pode ficar mais caro: quem vai pagar pelo sistema que falhou

News · 2026-09-04 · 6 min read

Mulher e homem analisam papéis ao lado de um notebook em escritório iluminado, com vista para o porto de Wellington.

Se você pensa em trabalhar na Nova Zelândia, ou é um empregador que patrocina profissionais estrangeiros por lá, vale prestar atenção nesta conta. A Immigration New Zealand (INZ), o órgão do governo que concede os vistos, tem um déficit de 90 milhões de dólares nas contas de vistos neste ano. Uma nova revisão das taxas está prevista para antes do fim de 2026, apenas dois anos depois da última. Para quem depende de vistos de trabalho, isso não é um detalhe técnico: é uma prévia da próxima fatura.

De onde vem o rombo

O déficit tem duas origens. A primeira é o custo do Our Future Services, um programa de automação de 336 milhões de dólares que ainda está nos primeiros anos. A segunda é o que sobrou do Biometric Capability Update (BCU), um sistema criado para modernizar o tratamento de dados biométricos. Ele durou sete anos, de 2018 ao fim de 2025, e foi abandonado sem entregar nada utilizável.

Um projeto cancelado que continua custando

No Orçamento de 2026, o governo lançou uma baixa contábil de 31,2 milhões de dólares para o BCU. O número não se sustentou. Em julho de 2026, o ministério responsável pela INZ revelou mais 6 milhões de dólares em custos ligados ao projeto que não tinham sido divulgados, sem conseguir confirmar se esse era o valor final. No início de setembro de 2026, as perdas conhecidas já chegavam perto de 40 milhões de dólares, e o ministério ainda não sabia dizer se a conta tinha parado de crescer.

Sete anos e nada entregue: o que deu errado

Uma revisão independente descreveu a falha sem rodeios: o projeto começou em 2018 sem a análise adequada, pulou etapas de verificação durante uma reformulação em 2020, criou uma estrutura de governança tarde demais e deixou os problemas crescerem fora dos canais normais de reporte.

O sistema que veio substituir também preocupa

O Our Future Services, programa de oito anos criado para substituir o sistema que falhou, tem só um ano e meio e já mostra problemas. Uma revisão concluiu que o plano de negócios original exagerou a economia prevista: ele contava com o corte de 118 cargos de tempo integral e com a redução de custos fixos de TI, imóveis e serviços corporativos, embora esses custos quase não diminuam quando o número de funcionários cai. O ganho de produtividade prometido, de 30%, também não apareceu: o processamento de vistos de estudante está só 7% a 20% acima do nível de referência. Uma avaliação oficial classificou o programa inteiro como de alto risco.

O que empregadores e trabalhadores precisam saber

É aqui que a história deixa de ser contabilidade do governo e vira custo de contratação. Depois da reforma de taxas e contribuições de 2024, o financiamento da INZ passou quase todo para quem usa o sistema. Em 2024/25, a receita veio de cerca de 50% em taxas, 40% em contribuições (levies) e só 9% de impostos gerais. Na prática, cerca de 91 centavos de cada dólar que a INZ gasta saem diretamente dos migrantes e dos empregadores que os patrocinam. Se os usuários bancam quase todo o sistema, é justo esperar que ele seja bem administrado.

Essa mudança já pesou em 2024. A taxa do visto de residência para profissionais qualificados subiu de 4.290 para 6.450 dólares, e a do visto de estudante dobrou, para 750 dólares. Um documento do próprio governo daquele ano projetava os gastos com tecnologia subindo de 13,3 milhões de dólares em 2024/25 para 58,2 milhões em 2027/28, quatro vezes mais, em boa parte por causa dos sistemas antigos que o BCU deveria ter substituído e não substituiu.

Quem paga a conta

O modelo em que o usuário paga foi uma escolha política consciente, e os aumentos de 2024 foram apresentados como o fim de um subsídio do contribuinte ao sistema de imigração. Isso é defensável por si só. Mas o déficit atual não é resultado de uma política: é o custo de um projeto fracassado, de um plano de negócios otimista demais e de obrigações com fornecedores ainda não resolvidas. O ministério já reconheceu que, para voltar a ter superávit nas contas de vistos, vai precisar cortar gastos e adotar medidas de recuperação de receita. Em outras palavras, as taxas tendem a subir de novo, e quem vai cobrir a conta são os empregadores e migrantes que não tiveram nada a ver com a falha do BCU.

O que isso muda para quem sai do Brasil

Se você planeja trabalhar na Nova Zelândia, inclua no orçamento a possibilidade de taxas mais altas depois da revisão prevista para antes do fim de 2026. Confira sempre o valor atual nas páginas oficiais da INZ antes de pagar e lembre que a taxa do visto é paga à própria INZ. Working holiday e visto de estudante são diferentes de um visto patrocinado por um empregador. E ninguém pode cobrar de você por uma oferta de emprego ou por patrocínio: isso é ilegal na Nova Zelândia. Veja as vagas na Nova Zelândia e leia também o que as falhas no sistema de vistos neozelandês significam para quem faz o pedido e nosso artigo sobre o aumento das taxas de visto na Austrália.

Erros comuns ao planejar o custo do visto

  • Usar no orçamento um valor de taxa antigo, sem conferir a página oficial.
  • Achar que o governo arca com os custos do sistema: hoje, quase tudo sai de migrantes e empregadores.
  • Pagar alguém por uma vaga ou por patrocínio.
  • Transferir dinheiro com pressa para contas pessoais de quem promete um visto.

Perguntas frequentes

Por que as taxas de visto da Nova Zelândia podem subir?

A INZ tem um déficit de 90 milhões de dólares nas contas de vistos neste ano. O governo já falou em cortar gastos e recuperar receita, e uma nova revisão das taxas está prevista para antes do fim de 2026.

O que foi o Biometric Capability Update?

Foi um sistema para modernizar o tratamento de dados biométricos da INZ. O projeto durou de 2018 ao fim de 2025 e foi abandonado sem entregar nada utilizável.

Quanto subiram as taxas em 2024?

A taxa do visto de residência para profissionais qualificados passou de 4.290 para 6.450 dólares. A do visto de estudante dobrou, para 750 dólares.

Quem financia a INZ hoje?

Quase só quem usa o sistema. Em 2024/25, cerca de 91 centavos de cada dólar gasto pela INZ vieram de migrantes e dos empregadores que os patrocinam.

Pontos principais

  • A INZ tem um déficit de 90 milhões de dólares nas contas de vistos neste ano.
  • O BCU durou de 2018 ao fim de 2025 e foi abandonado sem entregar nada; as perdas conhecidas chegam perto de 40 milhões de dólares.
  • Uma nova revisão de taxas está prevista para antes do fim de 2026.
  • Cerca de 91 centavos de cada dólar gasto pela INZ vêm de migrantes e empregadores.
  • Confira sempre as taxas atuais nas páginas oficiais da INZ antes de pagar.

#taxas de visto #nova zelândia #immigration new zealand #empregadores #trabalhar na nova zelândia

Continue lendo

Todos os artigos