← Todos os artigos

Estuda ou pensa em trabalhar na Austrália? O que o novo pacote de migração muda para brasileiros

Visa guide · 2026-09-19 · 6 min read

Mulher e homem analisam papéis em branco à mesa de um apartamento iluminado, com o Parlamento australiano ao fundo.

Se você é um dos muitos brasileiros que estudam na Austrália, ou se pensa em ir para lá trabalhar, vale prestar atenção no pacote de mudanças que o governo australiano apresentou. A mensagem de Canberra é clara: o país quer ter mais controle sobre quem chega, quanto tempo fica e por qual caminho.

O ponto de partida são metas firmes para a migração líquida (net overseas migration): 245.000 pessoas neste ano fiscal e 225.000 no seguinte. Antes, esses números eram tratados como projeções. Agora viram meta, e as regras de vários vistos estão sendo ajustadas para chegar lá.

A ideia central: cada visto para o seu propósito

O governo resumiu a reforma em um teste simples. Visto temporário serve para uma estadia temporária. Visto permanente serve para quem vai ficar de vez. Se nenhum dos dois se aplica, a pessoa deve sair do país. Parece óbvio, mas na prática isso fecha caminhos que muitos migrantes usaram durante anos para ganhar tempo.

Estudantes: o fim da troca de curso para ficar mais tempo

A mudança que mais afeta estudantes é o combate ao chamado visa hopping, quando a pessoa troca de instituição ou de nível de curso só para prolongar a permanência, e não para avançar nos estudos. Pelas novas regras:

  • quem quiser trocar de instituição de ensino vai precisar pedir um visto totalmente novo;
  • depois de terminar um curso, o estudante só pode subir de nível (por exemplo, de bacharelado para mestrado), nunca ir para o lado ou para baixo;
  • estudantes internacionais perdem, em grande parte, a possibilidade de levar familiares no visto, com exceções para cidadãos do Pacífico e da ASEAN, doutorandos e famílias que já estão estabelecidas na Austrália.

Para o estudante brasileiro, a escolha do curso passa a pesar muito mais logo no começo. Não dá mais para ir e decidir depois. Leia também nosso artigo sobre estudantes e familiares no novo modelo.

Working holiday: sorteio no lugar da fila

O programa Working Holiday Maker também muda de estrutura. O processamento volta ao ritmo normal para a maioria dos países, mas ficar além do primeiro ano passa a depender de um sorteio:

  • Segundo ano: limite de 45.000 vagas, e continua sendo preciso cumprir 88 dias de trabalho regional antes de entrar no sorteio.
  • Terceiro ano: só 5.000 vagas, com seis meses de trabalho regional.

O Reino Unido é uma exceção: pelo acordo de livre comércio, britânicos não precisam fazer trabalho regional. Como o número de mochileiros britânicos saltou de cerca de 17.000 para quase 80.000 desde que o acordo começou, esse fluxo vai andar de propósito mais devagar. Há mais detalhes em nosso texto sobre o sorteio do working holiday.

Profissões técnicas ganham peso no teste de pontos

Para quem tem um ofício, a notícia é boa. Os ofícios, principalmente os da construção, passam a valer no teste de pontos de forma parecida com um diploma universitário. A Ministerial Direction 119 também está sendo ajustada para dar prioridade de processamento a construção, saúde, agricultura, pesca e ensino. Uma orientação anterior tinha jogado pedidos qualificados feitos de fora da Austrália para o fim da fila, com esperas de mais de um ano em alguns casos. Veja como ficou a fila em nosso guia sobre as prioridades de processamento.

Fiscalização mais dura

O pacote também mira quem já descumpre as condições do visto: 100 fiscais a mais, 250 novas vagas em centros de detenção, a possível reutilização de uma antiga instalação de quarentena em Melbourne e a volta de práticas de detenção anteriores a 2015 para desestimular quem fica além do prazo. Também haverá novas sanções para agentes de migração que incentivam clientes a fazer pedidos fracos ou sem fundamento.

Os números por trás do debate

O governo rejeita a ideia de que a Austrália vive uma migração em massa. Segundo as contas oficiais, o país deve ter 700.000 pessoas a menos até 2030-31 do que as previsões de antes da pandemia indicavam. Também foi lembrado que 15.000 trabalhadores da construção chegaram no período atual. Para quem planeja a mudança, o recado é que a política sai de um modelo guiado pela demanda e vai para um modelo de cotas e controle.

O que isso significa para brasileiros

Visto de estudante e working holiday são vistos diferentes do visto de trabalho patrocinado por um empregador. Trabalhar durante os estudos ou numa temporada de working holiday não transforma o visto em patrocínio. Se o seu objetivo é trabalhar na Austrália por mais tempo, faz sentido escolher desde já um caminho direto, como uma vaga com patrocínio de visto. Confira as vagas com patrocínio de visto no nosso site; candidatar-se é gratuito.

Erros comuns de quem planeja ir para a Austrália agora

  • Escolher um curso pensando em trocar depois: a troca de instituição agora exige um visto novo.
  • Contar com um segundo ano de working holiday como certo, quando ele depende de sorteio.
  • Achar que trabalhar como estudante abre caminho automático para o patrocínio.
  • Pagar alguém por uma oferta de emprego ou por patrocínio. Isso é ilegal na Austrália. Taxas de consulta e de assessoria de visto são legais, mas pague só a agentes de migração registrados, com contrato por escrito e recibo.

Perguntas frequentes

Posso trocar de faculdade com o meu visto de estudante atual?

Pelas novas regras, quem quiser trocar de instituição de ensino vai precisar pedir um visto novo. Por isso, vale escolher bem o curso e a instituição antes de embarcar.

Estudantes ainda podem levar a família?

Em grande parte, não. As exceções são cidadãos do Pacífico e da ASEAN, doutorandos e famílias que já estão estabelecidas na Austrália.

Como funciona o sorteio do segundo ano de working holiday?

São até 45.000 vagas no segundo ano, e é preciso ter feito 88 dias de trabalho regional para entrar no sorteio. No terceiro ano, são 5.000 vagas e seis meses de trabalho regional.

Quais áreas ganham prioridade no processamento?

Construção, saúde, agricultura, pesca e ensino. Os ofícios da construção também passam a pesar mais no teste de pontos.

Pontos principais

  • A Austrália fixou metas de migração líquida: 245.000 neste ano fiscal e 225.000 no seguinte.
  • Trocar de instituição de ensino passa a exigir um visto novo, e o estudante só pode subir de nível.
  • O segundo e o terceiro ano de working holiday passam a depender de sorteio.
  • Ofícios, principalmente da construção, ganham peso no teste de pontos.
  • Visto de estudante e working holiday não são patrocínio do empregador.

#migração na austrália #visto de estudante #working holiday #trabalhar na austrália #teste de pontos #brasileiros na austrália

Continue lendo

Todos os artigos