Trabalha em pomares na Nova Zelândia? O que a reforma da formação em horticultura pode mudar até 2028
News · 2026-09-01 · 6 min read

Muitos brasileiros conhecem a Nova Zelândia pelos pomares, packhouses e viveiros, seja em uma temporada de working holiday, seja trabalhando com um visto de trabalho. O setor de horticultura do país está entrando em um período de incerteza, e isso interessa tanto a quem trabalha com visto quanto aos empregadores que dependem de equipes com visto patrocinado.
A partir de 1º de janeiro de 2026, a formação no próprio trabalho (work-based training) em horticultura sai da Te Pūkenga e passa para um órgão novo e temporário, o Food and Fibre Industry Skills Board. É mais um capítulo de anos de reestruturação do ensino profissional neozelandês, e afeta quem recebe formação, como ela acontece e se quem tem visto pode participar.
Uma proposta que interessa a quem tem visto
A maior parte da discussão gira em torno de financiamento, matrículas e incentivos para as instituições. Mas há um ponto que merece mais atenção: uma das propostas da nova estratégia do setor, a Food and Fibre Workforce Capability Strategy, é devolver aos trabalhadores com visto de trabalho o direito de participar da formação.
É um detalhe importante. Boa parte da produção de frutas e verduras da Nova Zelândia depende de mão de obra migrante, mas as regras atuais dificultam que quem tem visto faça qualificações reconhecidas no próprio trabalho. Se essa barreira cair, trabalhadores migrantes poderiam passar de funções gerais para cargos mais qualificados e mais bem pagos. O trabalhador ganha na carreira, e o empregador consegue manter uma equipe treinada em vez de recomeçar com gente nova o tempo todo.
Um setor já sob pressão
Os números falam por si. As matrículas de formação no trabalho em frutas e verduras caíram cerca de dois terços entre 2021 e 2024. Some a isso uma força de trabalho local envelhecendo e a falta crônica de mão de obra qualificada, e fica claro por que a horticultura depende tanto de trabalhadores estrangeiros.
O resultado é um paradoxo: o setor que mais precisa de uma equipe estável e qualificada é justamente aquele em que os caminhos de formação estão menos estáveis.
O calendário até 2028
- Até o fim de 2027: a Primary ITO continua oferecendo a formação em horticultura em regime de transição, com cerca de 1.500 matrículas atuais em todo o país.
- Até junho de 2027: o modelo atual deixa de aceitar novas matrículas.
- Até 2028: a formação no trabalho deve passar para politécnicos regionais e instituições privadas de ensino, e o Skills Board fica só com a definição de padrões.
É pouco tempo. Entidades do setor, como a Horticulture New Zealand e a Primary ITO, alertam que, sem um plano claro, as instituições podem simplesmente deixar de oferecer qualificações com poucos alunos, mesmo que sejam essenciais para o setor.
O risco para quem quer crescer na profissão
Se politécnicos e instituições privadas escolherem só os cursos mais lucrativos, formações específicas de horticultura podem desaparecer sem alarde. Entre elas estão justamente as qualificações que dão a trabalhadores migrantes um caminho para categorias de visto qualificado ou para a residência ligada a qualificações reconhecidas.
Para empregadores que patrocinam trabalhadores, fica uma pergunta prática: se o parceiro de formação atual não puder assegurar um caminho até 2027 e depois, qual é o plano B?
Um modelo que vale acompanhar
Nem tudo é ruim. O Horticulture Cadetship Programme da Primary ITO, testado em Pukekohe e agora chegando à Bay of Plenty, mostra como pode ser um modelo mais firme. Ele junta aprendizes em turmas, com sessões de estudo em grupo e um orientador dedicado que cuida das exigências de formação em nome do empregador. Para empresas que equilibram as obrigações de quem patrocina vistos com o dia a dia da produção, esse apoio pode tornar a formação muito mais viável.
O que isso significa para trabalhadores brasileiros
Se você está na Nova Zelândia com working holiday, lembre que esse é um visto diferente de um visto de trabalho patrocinado por um empregador. A proposta trata de trabalhadores com visto de trabalho. Quem quer seguir na horticultura deve acompanhar essas mudanças, porque a formação disponível hoje pode ser bem diferente em 2028. Veja as vagas com patrocínio na Nova Zelândia e leia nosso artigo sobre o novo caminho para profissionais técnicos na Nova Zelândia. Para quem compara com a Austrália, há também nosso texto sobre os vistos para o trabalho no campo australiano.
Erros comuns de quem trabalha na horticultura
- Tratar a proposta sobre formação para quem tem visto como regra já aprovada.
- Esperar até 2027 para descobrir se o curso que você planeja ainda vai existir.
- Confundir working holiday com um visto patrocinado por um empregador.
- Pagar alguém por uma vaga em pomar ou por patrocínio. Isso é ilegal na Nova Zelândia.
Perguntas frequentes
Quando a formação em horticultura muda de responsável?
A partir de 1º de janeiro de 2026, a formação no trabalho sai da Te Pūkenga e vai para o Food and Fibre Industry Skills Board, um órgão temporário.
Quem tem visto de trabalho poderá fazer a formação?
Essa é uma das propostas da Food and Fibre Workforce Capability Strategy. Por enquanto, é só uma proposta, e as regras atuais dificultam o acesso de quem tem visto.
As matrículas atuais continuam valendo?
Sim. A Primary ITO segue com a formação até o fim de 2027, cobrindo cerca de 1.500 matrículas. Novas matrículas pelo modelo atual param até junho de 2027.
O que acontece em 2028?
A formação no trabalho deve passar para politécnicos regionais e instituições privadas. O Skills Board fica só com a definição de padrões.
Pontos principais
- A partir de 1º de janeiro de 2026, a formação em horticultura passa para o Food and Fibre Industry Skills Board.
- Uma proposta do setor quer devolver a quem tem visto de trabalho o acesso à formação.
- As matrículas caíram cerca de dois terços entre 2021 e 2024.
- Novas matrículas no modelo atual param até junho de 2027, e a formação muda de mãos até 2028.
- Working holiday é um visto diferente de um visto patrocinado por um empregador.
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