Golpe de emprego na Austrália ou na Nova Zelândia: como saber se a vaga e o visto são reais antes de pagar
Tips · 2026-10-26 · 11 min read

Golpe de emprego na Austrália ou na Nova Zelândia quase sempre tem uma destas marcas: alguém promete o visto, cobra uma taxa para contratar ou patrocinar você, oferece uma "work permit" ou pede o seu passaporte logo no primeiro contato. Nenhuma dessas coisas acontece em um processo de verdade. Na Austrália ninguém pode prometer um visto, o país não emite "work permits" e pagar ao empregador pelo patrocínio é ilegal. Antes de pagar qualquer valor, confira o visto no VEVO (Austrália) ou no Visa Verification da Immigration New Zealand, e veja se o e-mail termina em .gov.au ou em immigration.govt.nz.
Este guia reúne os sinais de alerta que o governo australiano e a Immigration New Zealand (INZ) descrevem, mostra como conferir uma oferta e um visto em poucos minutos e explica o que fazer se você já estiver trabalhando por lá. As informações são gerais e vêm das páginas oficiais.
Por que o brasileiro é alvo fácil desse tipo de golpe
Quem sai do Brasil para trabalhar fora quer resolver tudo rápido, e é aí que o golpe entra. Alguns pontos ajudam a entender o terreno:
- Todo brasileiro precisa de visto para a Austrália. A Embaixada da Austrália no Brasil informa que o passaporte brasileiro não pode pedir a Electronic Travel Authority (ETA). Não existe "entrar como turista e trabalhar": com visto de visitante ou ETA não se pode trabalhar na Austrália.
- Na Nova Zelândia, a isenção é só para visita. O Brasil está na lista de isenção de visto para visitas de menos de 3 meses, com a NZeTA, mas a INZ deixa claro que quem quer trabalhar ou morar no país precisa de um visto de trabalho ou de residência.
- Os caminhos fáceis estão mais estreitos. Em 22 de outubro de 2026, a tabela da Home Affairs mostrava a cota de 500 vistos Work and Holiday (subclasse 462) do Brasil como pausada, e a página da INZ dizia que o Brazil Working Holiday Visa estava fechado para 2026. Quem promete uma vaga certa nesses programas, cobrando por isso, está vendendo algo que não pode entregar.
Se você está decidindo entre esses caminhos, o artigo Work and Holiday ou visto 482: qual serve ao seu plano compara as duas opções com calma.
Sinais de golpe na oferta de emprego e no visto
A tabela junta os sinais mais comuns e o que a regra oficial diz sobre cada um.
| Sinal de alerta | O que a regra oficial diz | O que fazer |
|---|---|---|
| Promessa de visto aprovado ou de "aprovação certa" | Ninguém pode prometer um visto australiano; quem promete visto, residência ou cidadania está enganando você | Encerrar a conversa |
| Oferta de "work permit" ou LMIA | A Austrália não emite "work permits", etiquetas de visto nem Labour Market Impact Assessments | Tratar como golpe |
| Contato inesperado por WhatsApp, Signal ou Telegram, contratação rápida sem entrevista | O Scamwatch lista esses pontos entre os sinais de golpe de emprego | Pesquisar a empresa por conta própria |
| Taxa de recrutamento ou de "material de treinamento" antes de começar | Também é sinal de golpe para o Scamwatch; na Nova Zelândia, o empregador não pode cobrar pela vaga | Não pagar |
| Pedido de cópia do passaporte e dos documentos logo no início | O Scamwatch orienta a não enviar passaporte nem documentos sem ter certeza de que a empresa é real | Enviar só depois de confirmar a empresa e a vaga |
| E-mail "do governo" que não termina em .gov.au | E-mails da Home Affairs que não terminam em .gov.au são golpe; os da INZ terminam em immigration.govt.nz ou mbie.govt.nz | Conferir o endereço completo do remetente |
| Taxa do visto da Nova Zelândia por depósito ou PIX | A INZ nunca pede a taxa do visto em conta bancária | Pagar só nos canais oficiais |
| "Pague o patrocínio e a vaga é sua" | Pagar ao empregador para ser patrocinado é ilegal na Austrália, inclusive por desconto no salário | Recusar e denunciar |
Os sinais estão descritos na página da Home Affairs sobre golpes de visto (visa scams) e na página do Scamwatch sobre golpes de emprego.
Pagar pelo patrocínio pode custar o seu visto
Esse ponto merece destaque, porque muita gente acha que só a empresa corre risco. Na Austrália, pagar a um empregador para conseguir patrocínio é ilegal, inclusive por meio de descontos no salário, e pode levar à recusa ou ao cancelamento do visto, a multas e até à prisão. Quem se envolve em fraude de visto por meio de um agente golpista pode ter o visto recusado ou cancelado e ficar impedido de entrar na Austrália por até 10 anos.
Na Nova Zelândia a lógica é parecida: a INZ recusa o pedido de Accredited Employer Work Visa (AEWV) se o candidato, ou o agente dele, ofereceu ou prometeu dinheiro ao empregador em troca da oferta de emprego. O que você paga de verdade, e o que é do empregador, está no artigo quanto custa ir trabalhar na Austrália.
Como conferir se o visto e a oferta são verdadeiros
Você não precisa de ninguém para fazer as checagens básicas. As ferramentas são oficiais e abertas.
- Austrália: o ImmiAccount é o único site oficial para pedir um visto australiano. Se alguém mostrar um visto concedido, consulte o VEVO: um visto que não aparece lá provavelmente é falso.
- Nova Zelândia: o serviço Visa Verification da INZ confirma se um visto é real. Os sites oficiais da INZ têm ".immigration.govt.nz" exatamente assim no endereço.
- Empregador na Nova Zelândia: na lista de empregadores credenciados da INZ você busca pelo NZBN de 13 dígitos ou pelo nome da empresa. A lista é atualizada todos os dias, mas alguns empregadores credenciados preferem não aparecer; nesse caso, confirme direto com a empresa.
Uma vaga real com patrocínio tem uma ocupação, um empregador e um processo de visto concretos. O artigo o que o brasileiro precisa ter antes da oferta de visto patrocinado mostra como esse processo funciona, e os guias do visto Skills in Demand (482) e do AEWV da Nova Zelândia trazem os requisitos de cada visto.
Quem pode cobrar para ajudar com o visto
Na Austrália, a assistência de imigração só pode vir de agentes de migração registrados, de advogados ou de pessoas isentas. O agente registrado aparece no registro da Office of the Migration Agents Registration Authority (OMARA) e tem um número MARN; quem diz ser agente sem MARN não é legítimo. Pessoas isentas, como o próprio patrocinador ou um parente próximo, podem ajudar, mas não podem cobrar.
Na Nova Zelândia, por lei, só pode dar orientação de imigração quem tem licença da Immigration Advisers Authority, salvo isenções, e o registro público mostra quem está licenciado. Você também não é obrigado a usar um consultor, e a INZ não dá prioridade a pedidos feitos com ajuda de um. Se for pagar alguém, faça isso com contrato por escrito e recibo.
Passo a passo antes de aceitar uma oferta de emprego no exterior
- Pesquise a empresa por fora da conversa. Não use só o link ou o telefone que o recrutador mandou. Na Nova Zelândia, procure o empregador na lista de credenciados da INZ.
- Exija uma entrevista de verdade. Contratação rápida sem entrevista é um dos sinais apontados pelo Scamwatch.
- Recuse qualquer cobrança pela vaga. Taxa de recrutamento, de treinamento ou de "reserva de patrocínio" é sinal de golpe.
- Confira os e-mails "oficiais". Home Affairs: .gov.au. INZ: immigration.govt.nz ou mbie.govt.nz.
- Pague taxas de visto só nos canais oficiais. Austrália pelo ImmiAccount; Nova Zelândia por cartão nos formulários da INZ ou em um Visa Application Centre aprovado, nunca por depósito.
- Confirme o visto concedido. VEVO para a Austrália, Visa Verification para a Nova Zelândia.
- Envie documentos só no fim. Passaporte e documentos pessoais vão quando você já confirmou empresa, vaga e processo. A lista do que preparar está no checklist de documentos para trabalhar na Austrália ou na Nova Zelândia.
- Candidate-se pelo caminho certo. Vagas reais pedem currículo em inglês e experiência comprovada; você pode montar o seu currículo em inglês no Build AI CV e se candidatar direto às vagas com patrocínio, como a de Fabricator / Welder em Perth ou a de Chef em Brisbane. Candidatar-se é gratuito.
Para comparar com a experiência de outros países, vale ler um artigo em inglês da JobsAbroad Bangladesh sobre ofertas falsas pelo WhatsApp: as checagens são as mesmas, só muda o país de origem.
Já está na Austrália ou na Nova Zelândia? Golpe também acontece no emprego
Nem todo abuso vem antes da viagem. A Home Affairs diz que, na Austrália, é contra a lei o empregador ficar com o passaporte do trabalhador migrante, ameaçar cancelar o visto, pagar menos do que o devido, pedir de volta custos de patrocínio, indicação ou recrutamento, ou cobrar dinheiro em troca do patrocínio. O esquema de "cashback", em que o empregador exige parte do salário de volta pela vaga, também é ilegal.
Se a exploração fez você descumprir uma condição de trabalho do visto, você pode denunciar sem que isso afete o seu visto, e não precisa se identificar. Veja a página da Home Affairs sobre proteções para trabalhadores migrantes. Para falar com o Fair Work Ombudsman com a ajuda de um intérprete, ligue para o serviço de intérpretes TIS no 131 450 e peça que liguem para o 13 13 94.
Na Nova Zelândia, a INZ diz que trabalhadores migrantes têm os mesmos direitos que os trabalhadores locais e que denunciar um empregador que maltrata você, ou um local de trabalho inseguro, não afeta o seu visto.
Erros comuns de quem cai em golpe de emprego no exterior
- Confiar no "conhecido de um conhecido". Indicação de amigo não substitui as checagens no VEVO, na lista de empregadores credenciados e no registro da OMARA.
- Achar que pagar o patrocínio é "investimento". É ilegal na Austrália e motivo de recusa do AEWV na Nova Zelândia, e o risco recai também sobre você.
- Mandar o passaporte no primeiro contato. Com seus documentos, o golpista pode fingir ser você em outros golpes.
- Pagar por PIX para uma pessoa física. Nem a Home Affairs nem a INZ recebem taxa de visto em conta pessoal.
- Acreditar que dá para trabalhar como turista. Com visto de visitante ou ETA não se trabalha na Austrália, e na Nova Zelândia trabalhar exige um visto de trabalho.
- Ficar calado depois de chegar. Denunciar exploração não prejudica o visto, segundo a Home Affairs e a INZ.
Perguntas frequentes
Alguém pode prometer que eu vou conseguir o visto para trabalhar na Austrália?
Não. A Home Affairs diz que nenhuma pessoa ou empresa pode prometer um visto australiano e que quem promete visto, residência permanente ou cidadania está enganando você. Quem decide é sempre o governo, depois de analisar o pedido.
Como saber se o visto que recebi é verdadeiro?
Para a Austrália, consulte o VEVO: um visto concedido que não aparece lá provavelmente é falso, e o único site oficial para pedir visto é o ImmiAccount. Para a Nova Zelândia, use o serviço Visa Verification da Immigration New Zealand.
É normal pagar uma taxa para a empresa me contratar ou me patrocinar?
Não. Na Austrália é ilegal pagar a um empregador para ser patrocinado, inclusive por desconto no salário. Na Nova Zelândia, o empregador não pode cobrar taxa pela vaga nem passar a você os custos de recrutamento, nem por meio de terceiros.
Posso pagar a taxa do visto da Nova Zelândia por PIX ou transferência?
Não para a INZ. A Immigration New Zealand nunca pede que a taxa do visto seja depositada em conta bancária: ela só aceita cartão de débito ou crédito nos formulários oficiais ou pagamento em um Visa Application Centre aprovado.
Pagar um agente de migração é sempre golpe?
Não. Pagar por orientação de visto é legítimo quando quem recebe está entre os agentes de migração registrados na Austrália, com número MARN no registro da OMARA, ou entre os consultores licenciados na Nova Zelândia, com contrato por escrito e recibo. O que nunca é legítimo é pagar pela vaga ou pelo patrocínio.
Pontos principais
- Ninguém pode prometer um visto australiano, e a Austrália não emite "work permits".
- Pagar ao empregador por uma vaga ou pelo patrocínio é ilegal na Austrália e motivo de recusa do AEWV.
- Confirme vistos no VEVO ou no Visa Verification da INZ e confira o final dos e-mails oficiais.
- Taxa de visto só nos canais oficiais, nunca por depósito ou PIX para uma pessoa.
- Já no país, denunciar exploração não afeta o seu visto.
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