Visto patrocinado na Austrália ou na Nova Zelândia: o que o brasileiro precisa ter antes da oferta
Tips · 2026-10-15 · 12 min read

Um visto patrocinado na Austrália ou na Nova Zelândia é um visto de trabalho que nasce de uma oferta de emprego: o empregador escolhe você para uma vaga e assume o papel de patrocinador. Na Austrália, o caminho principal é o visto Skills in Demand (subclasse 482); na Nova Zelândia, o Accredited Employer Work Visa (AEWV). Para o brasileiro, o que mais pesa é a experiência comprovada na profissão, uma ocupação aceita pelo visto e um empregador habilitado a patrocinar. E uma regra vale nos dois países: patrocínio não se compra.
O que muda quando o visto depende do empregador
No patrocínio do empregador, o visto fica ligado a uma vaga concreta. Você não vai para "procurar trabalho": vai para ocupar uma função específica que a empresa precisa preencher.
Isso traz segurança, porque você chega com emprego. Mas também traz limites. Quem tem o 482 só pode trabalhar na ocupação para a qual foi indicado e para a empresa que fez a indicação (ou, em alguns casos, uma empresa associada). No AEWV, a regra é parecida: o trabalho tem de ser aquele emprego, com aquele empregador e naquele local que aparecem no visto, e não é permitido ter um segundo emprego.
Muitos brasileiros chegam à Austrália como intercambistas ou fazem working holiday. São vistos diferentes. O visto de estudante (subclasse 500) exige que o estudo seja o motivo principal da viagem, e a própria Home Affairs diz que, se o seu objetivo principal é trabalhar, vale considerar um visto de trabalho em vez do Work and Holiday (subclasse 462). Trabalhar com um desses vistos não equivale a ter patrocínio.
Austrália: o visto Skills in Demand (subclasse 482) por dentro
O 482 é um visto temporário que permite a um empregador patrocinar um profissional qualificado para uma vaga que ele não conseguiu preencher com um australiano qualificado. Esse é o ponto de partida: a empresa precisa de alguém com as suas habilidades e não encontrou essa pessoa no país.
No fluxo Core Skills, três exigências andam juntas:
- Ocupação na lista: a vaga precisa estar na Core Skills Occupation List (CSOL).
- Salário de mercado: você deve receber o valor de mercado da ocupação (Annual Market Salary Rate, AMSR) e nunca menos que o Core Skills Income Threshold (CSIT). Para indicações feitas entre 1º de julho de 2026 e 30 de junho de 2027, o CSIT é de AUD 79.423 por ano.
- Experiência: pelo menos 1 ano de experiência relevante na ocupação ou em área relacionada, obtida nos últimos 5 anos. Trabalho de meio período ou temporário conta, desde que some pelo menos 12 meses de tempo integral.
O visto permite trabalhar para o patrocinador por até 4 anos. Você pode fazer o pedido dentro ou fora da Austrália, e é possível incluir cônjuge e filhos dependentes no mesmo pedido; a família pode morar, estudar e trabalhar no país. Se você estiver fora quando o visto sair, precisa começar a trabalhar em até 90 dias depois de entrar na Austrália.
E se o emprego acabar? A Home Affairs informa que quem perde o emprego tem até 180 dias para encontrar um novo empregador ou se organizar para deixar o país. Mais adiante, o empregador pode ter a possibilidade de indicar você para a residência permanente pelo Employer Nomination Scheme (subclasse 186). Ou seja, há um caminho para a residência permanente, mas ele também depende do empregador e das regras desse outro visto.
Para entender cada exigência em detalhe, veja o nosso guia completo do visto Skills in Demand (482) e a página oficial do fluxo Core Skills na Home Affairs.
Avaliação de competências: quando a TRA entra na conta
Alguns candidatos ao 482 precisam de uma avaliação de competências (skills assessment) obrigatória, feita pela Trades Recognition Australia (TRA) ou pela VETASSESS, conforme a ocupação. O detalhe que derruba muita gente: a avaliação tem de estar iniciada antes do pedido do visto, ou o pedido não é válido.
A TRA mantém uma lista de países e ocupações do seu programa para o 482 (Temporary Skills Shortage). O Brasil aparece nessa lista para marceneiro (Cabinetmaker), carpinteiro (Carpenter, Carpenter and Joiner, Joiner), chef e cozinheiro (Chef, Cook), confeiteiro (Pastrycook), soldador (Welder (First Class), Fitter-Welder), caldeireiro (Metal Fabricator), funileiro industrial (Sheetmetal Trades Worker), ferramenteiro (Toolmaker) e vários ajustadores e torneiros mecânicos (Fitter (General), Fitter and Turner, Metal Machinist (First Class), Metal Fitters and Machinists nec).
Para eletricistas, mecânicos de automóveis, padeiros (Baker) e funileiros de carroceria (Panelbeater), a lista desse programa não inclui o Brasil. Isso não encerra a conversa: confirme na lista oficial de ocupações e países da TRA e com o empregador o que vale para a sua profissão. Se você trabalha com solda, leia também por que a falta de soldadores na Austrália pode abrir uma porta para você.
Nova Zelândia: o Accredited Employer Work Visa (AEWV)
O AEWV é para quem tem uma oferta de emprego de um empregador credenciado (accredited employer). É o empregador que precisa enviar a você o link do formulário online do pedido.
A oferta precisa cumprir três condições: no mínimo 30 horas de trabalho por semana, um job check aprovado para aquela vaga e pagamento de pelo menos o valor de mercado da função. Do seu lado, a Immigration New Zealand (INZ) pede 2 anos ou mais de experiência relevante, ou uma qualificação de nível 4 ou superior no New Zealand Qualifications and Credentials Framework (NZQCF), na mesma área da vaga.
O visto pode durar até 5 anos, conforme o emprego. O tempo total com um ou mais AEWVs é de 5 anos para a maioria das funções, ou 3 anos quando a ocupação é de nível 4 ou 5 da ANZSCO; depois disso, em geral, a pessoa precisa passar 12 meses seguidos fora da Nova Zelândia. A INZ também indica que o AEWV pode levar a um visto de residência.
Atenção para quem está na Nova Zelândia com working holiday e trabalha no campo: uma oferta de AEWV não pode ser para plantar, cuidar, colher ou embalar cultivos na horticultura ou na viticultura. Também ficam de fora tripulantes estrangeiros de barcos de pesca e o trabalho por conta própria.
O passo a passo do pedido, com os documentos, está no nosso guia do AEWV, o visto de trabalho da Nova Zelândia. As regras atualizadas ficam na página oficial do AEWV na Immigration New Zealand.
482 ou AEWV: as diferenças que mais pesam
| Ponto | Austrália: Skills in Demand (482) | Nova Zelândia: AEWV |
|---|---|---|
| Quem pode patrocinar | Empregador que não encontrou um australiano qualificado para a vaga | Empregador credenciado, com job check aprovado para a vaga |
| Ocupação | Na Core Skills Occupation List (CSOL), no fluxo Core Skills | Vaga de pelo menos 30 horas por semana, fora das funções excluídas, como a colheita na horticultura |
| Experiência ou estudo | Pelo menos 1 ano nos últimos 5 anos | 2 anos ou mais, ou qualificação NZQCF nível 4 ou superior na área |
| Salário | Valor de mercado (AMSR) e no mínimo o CSIT | Pelo menos o valor de mercado da função |
| Duração | Até 4 anos | Até 5 anos, conforme o emprego |
| Futuro | O empregador pode indicar para o subclasse 186 | Pode levar a um visto de residência |
Do Brasil até a vaga com patrocínio: os passos
- Descubra o nome da sua ocupação em inglês. O título do cargo no Brasil nem sempre bate com a ocupação australiana. O que conta são as funções que você faz no dia a dia, como explicamos neste artigo sobre por que as suas funções valem mais que o nome do cargo.
- Some a sua experiência com prova. A Carteira de Trabalho Digital serve para comprovar vínculos de emprego, e a Home Affairs pede cartas de referência em papel timbrado do empregador, com nome, cargo e contato de quem assina, a sua função e as datas em que você trabalhou.
- Prepare o currículo em inglês. Para o 482, o CV precisa mostrar todo o seu histórico de trabalho e de estudo, com datas e cargos, de pelo menos os últimos 5 anos. Se ainda não tem um, monte seu CV em inglês com o Build AI CV.
- Veja se a sua profissão exige avaliação de competências. Se a resposta for sim, a avaliação precisa estar iniciada antes do pedido do 482.
- Candidate-se a vagas reais. Procure nas vagas na Austrália e na Nova Zelândia do JobsAbroad Brasil, como a de chef em Brisbane ou a de carpinteiro em Christchurch. Candidatar-se é gratuito.
- Acompanhe a parte do empregador. Na Austrália, a empresa faz a indicação da vaga; na Nova Zelândia, ela precisa estar credenciada, ter o job check aprovado e enviar o link do pedido para você.
- Leia as condições antes de aceitar. Confira a função, o local, as horas e o salário no contrato e compare com a vaga a que você se candidatou.
Patrocínio não se compra: o que a lei protege
Na Austrália, é contra a lei o empregador pedir dinheiro em troca do patrocínio do visto, ou cobrar do trabalhador os custos de patrocínio, indicação ou recrutamento. Quem pede o 482 também não pode ter pedido, oferecido, recebido ou dado qualquer vantagem em troca de patrocínio nos últimos 3 anos. Os custos de se tornar patrocinador e de fazer a indicação são do empregador e não podem ser repassados a você nem à sua família.
Na Nova Zelândia, a INZ recusa o pedido de AEWV se você ou alguém em seu nome ofereceu ou prometeu dinheiro ao empregador em troca da oferta de emprego. E o empregador credenciado se compromete a não repassar ao trabalhador custos de credenciamento, de recrutamento ou da operação da empresa.
Se o problema aparecer depois da chegada, existe proteção. A Home Affairs diz que o trabalhador patrocinado pode denunciar o empregador ao Border Watch se for obrigado a trabalhar horas demais, receber menos que o salário combinado, tiver descontos no pagamento por custos de patrocínio ou de recrutamento ou for colocado em outra função. Veja os detalhes na página oficial de proteção ao trabalhador migrante. Na Nova Zelândia, a INZ afirma que denunciar um empregador que trata você mal não afeta o seu visto.
Desconfie de quem promete um visto, de taxas muito altas e de pedidos de transferência urgente para conta pessoal. Antes de aceitar uma vaga na Nova Zelândia, um artigo em inglês da PinoyAbroad mostra como conferir o empregador credenciado antes de assinar.
A equipe do JobsAbroad Brasil, em Dubai, trabalha com agentes de migração e consultores de imigração experientes do setor na Austrália e na Nova Zelândia. Se quiser que alguém olhe o seu caso, agende uma consulta.
Erros comuns de quem busca patrocínio
- Achar que intercâmbio ou working holiday já é patrocínio. Trabalhar com visto de estudante ou de Work and Holiday não transforma esse visto em patrocinado. O patrocínio exige um novo pedido, com um empregador e uma vaga.
- Pagar por uma oferta de emprego. Além de ilegal, isso pode impedir o seu visto: na Austrália, por conta da regra dos últimos 3 anos; na Nova Zelândia, porque a INZ recusa o pedido.
- Deixar a avaliação de competências para depois. Se a sua ocupação exige avaliação para o 482 e ela não foi iniciada antes do pedido, o pedido não é válido.
- Contar experiência antiga demais. Para o 482, vale o ano de experiência obtido nos últimos 5 anos. Um emprego de muito tempo atrás pode não entrar na conta.
- Aceitar uma oferta da Nova Zelândia sem conferir o credenciamento. Sem empregador credenciado e job check aprovado, não há AEWV.
Perguntas frequentes
Posso procurar emprego com patrocínio estando no Brasil?
Pode. O pedido do 482 pode ser feito dentro ou fora da Austrália, e no AEWV é o empregador credenciado que envia o link do pedido para você. O que muda é que a oferta de emprego precisa vir antes do visto.
Quanto tempo de experiência eu preciso ter?
Para o 482, pelo menos 1 ano de experiência relevante obtido nos últimos 5 anos, com meio período somando 12 meses de tempo integral. Para o AEWV, 2 anos ou mais de experiência na área, ou uma qualificação de nível 4 ou superior no NZQCF.
Posso levar a minha família com o visto patrocinado?
No 482, cônjuge e filhos dependentes podem entrar no mesmo pedido e ter direito de morar, estudar e trabalhar na Austrália. No AEWV, o titular pode ter a possibilidade de apoiar um visto de visitante ou de trabalho para o cônjuge e vistos de visitante ou de estudante para os filhos dependentes.
Posso trocar de emprego depois de chegar?
Não livremente. No 482 você trabalha só na ocupação e para a empresa que fez a indicação; se perder o emprego, tem até 180 dias para encontrar um novo empregador ou se organizar para sair do país. No AEWV, uma mudança de emprego, empregador ou local exige um pedido de Job Change ou de mudança das condições do visto.
Pontos principais
- O visto patrocinado começa com uma oferta de emprego: 482 na Austrália, AEWV na Nova Zelândia.
- O 482 pede ocupação na CSOL, pelo menos 1 ano de experiência nos últimos 5 anos e salário nunca abaixo do CSIT (AUD 79.423).
- O AEWV pede empregador credenciado, job check aprovado e 2 anos de experiência ou qualificação de nível 4.
- Se a sua ocupação exigir avaliação da TRA, inicie antes do pedido do 482.
- Nunca pague por patrocínio ou por oferta de emprego: é ilegal e pode custar o seu visto.
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