Documentos para trabalhar na Austrália ou na Nova Zelândia: o que deixar pronto antes de sair do Brasil
Tips · 2026-10-08 · 11 min read

Os documentos para trabalhar na Austrália ou na Nova Zelândia começam a ser preparados no Brasil, antes mesmo da vaga com patrocínio de visto: passaporte válido, certidões de antecedentes criminais, traduções no formato que cada governo aceita, provas da sua experiência (Carteira de Trabalho Digital, cartas de referência e um CV de pelo menos 5 anos), prova de mudança de nome e, quando pedido, o exame médico com médico credenciado. Perto do embarque, falta ainda avisar a Receita Federal. A lista exata depende do visto e do que o Departamento de Assuntos Internos da Austrália (Department of Home Affairs) ou a Immigration New Zealand (INZ) pedirem no seu caso.
O checklist em uma tabela
| Documento | Quem emite | Cuidado principal |
|---|---|---|
| Passaporte | Polícia Federal ou consulado brasileiro | O nome dele é a referência de todo o resto |
| Certidão de Antecedentes Criminais | Polícia Federal (SINIC) | Sai só em português |
| Certidões da Justiça Federal e Estadual | Tribunais Regionais Federais e Justiça do estado | A Embaixada da Austrália pede as duas a quem mora no Brasil |
| Traduções | Tradutor juramentado ou tradutor NAATI | Documentos oficiais pedem tradução juramentada |
| Carteira de Trabalho Digital | Ministério do Trabalho e Emprego | Mostra só vínculos de empregado |
| Cartas de referência | Empregadores anteriores | Papel timbrado, cargo, datas e contato |
| Currículo (CV) | Você | Pelo menos 5 anos, com datas e cargos |
| Certidão de casamento ou divórcio | Órgão que registrou a mudança de nome | Liga o nome antigo ao atual |
| Exame médico | Médico credenciado (panel physician) | Na Austrália, agendamento com HAP ID |
| Comunicação de Saída Definitiva | Receita Federal, online | Feita a partir da data de saída |
Passaporte e nome: tudo precisa bater
O passaporte comum emitido pela Polícia Federal para maiores de 18 anos vale 10 anos. O serviço da PF atende só quem está no Brasil; quem já mora em Sydney ou Auckland pede em um posto consular. Antes de agendar, confira se o CPF está válido, se você está em dia com a Justiça Eleitoral e, para homens entre 19 e 45 anos, com o serviço militar: qualquer pendência trava a emissão.
Mudou de nome por casamento ou divórcio? Para o visto Skills in Demand (subclasse 482), Home Affairs pede as páginas do passaporte com foto e dados pessoais e a prova da mudança, como a certidão de casamento ou de divórcio. Se o candidato não conseguir provar a identidade, o pedido é recusado, e ele e os familiares incluídos podem ficar sem outro visto por 10 anos. A INZ pede que os tradutores usem a grafia do seu nome em inglês que está no passaporte. Resumo: o mesmo nome em certidões, traduções, referências e CV.
Antecedentes criminais: qual certidão tirar e quando
A Certidão de Antecedentes Criminais da Polícia Federal sai pelo sistema SINIC, online ou em uma unidade da PF, e só em português. Se a emissão online travar por homônimo ou por dados do CPF diferentes dos da Receita Federal, o sistema gera um protocolo para levar a uma unidade da PF, e a certidão pode levar até 15 dias.
Para a Austrália
Um detalhe que pouca gente conhece: a Embaixada da Austrália no Brasil diz que quem mora no Brasil deve apresentar certidões da Justiça Federal e da Justiça Estadual (ou de órgãos como o Tribunal de Justiça do estado e a Secretaria de Segurança Pública). A checagem da Polícia Federal é a indicada para quem viveu no Brasil com visto de visitante. Na parte federal, a Certidão Unificada do Conselho da Justiça Federal é emitida de uma vez por todos os Tribunais Regionais Federais.
Nem todo candidato precisa entregar atestados, mas todos passam pela avaliação de caráter. Home Affairs pode pedir um atestado de cada país onde você morou, normalmente se tinha mais de 17 anos e viveu lá pelo menos 12 meses nos últimos 10 anos. No 482, quem tem um patrocinador credenciado (accredited sponsor) pode trocar os atestados de outros países pela referência do patrocinador confirmando bom caráter e ausência de condenações.
Atenção ao prazo: o gov.br informa validade de 90 dias para a certidão da PF, e Home Affairs considera os atestados válidos por 12 meses a partir da emissão. Tire as certidões quando o pedido estiver perto.
Para a Nova Zelândia
Para o Accredited Employer Work Visa (AEWV) ou outro visto de trabalho, a INZ exige atestados já no pedido se o seu tempo total no país for de 24 meses ou mais, de cada país do qual você é cidadão e de cada país onde morou mais de 5 anos desde os 17. O atestado precisa ter menos de 6 meses no envio, vir traduzido, e a INZ não aceita recibo de solicitação. Os outros requisitos estão no nosso guia do AEWV, o visto de trabalho da Nova Zelândia. E veja o que a pausa na troca de dados criminais entre cinco países muda para quem pede visto.
Tradução juramentada, tradução simples e Apostila da Haia
Documento em português vai com tradução para o inglês e com o original. A Embaixada da Austrália dispensa tradução de passaporte, extratos bancários e declarações de imposto de renda se ficarem claros para quem só lê inglês. Fora da Austrália, documentos oficiais (certidões de nascimento, casamento e divórcio, carteira de identidade, atestados de antecedentes, certificado de dispensa militar) exigem tradutor juramentado; dentro da Austrália, tradutor credenciado pela NAATI. Para os demais documentos vale uma tradução precisa, nunca a de ferramenta online, com nome, endereço, telefone e qualificações do tradutor.
A INZ exige tradução certificada de todos os atestados médicos e de antecedentes, mesmo os que não registram condenação, e não aceita tradução feita por você, pela família ou por quem ajudou no pedido. Veja as regras de tradução da INZ.
Quanto à apostila: a Convenção da Haia vale no Brasil desde 14 de agosto de 2016, e a Austrália e a Nova Zelândia também fazem parte. Os cartórios de notas e de registro das capitais são obrigados a oferecer o serviço. A apostila confirma só a origem do documento, não o conteúdo, e não estende a validade dele: uma certidão de 90 dias continua valendo 90 dias. A Embaixada diz que você não precisa entregar cópias autenticadas; pergunte a quem vai receber o documento se a apostila é necessária antes de pagar por ela.
Como provar sua experiência: CTPS Digital, referências e CV
No 482, você precisa de pelo menos 1 ano de experiência relevante nos últimos 5 anos; no AEWV, 2 anos ou mais de experiência ou uma qualificação de nível 4 ou superior na mesma área da vaga. Os detalhes estão no nosso guia do visto Skills in Demand (482).
A Carteira de Trabalho Digital sai pelo app ou pela web com o CPF e a conta gov.br e vale para comprovar o vínculo de emprego. Guarde a carteira física para períodos antigos, e lembre que só aparecem vínculos de empregado e de empregado doméstico: anos como autônomo ficam de fora, e aí as cartas de referência pesam mais.
Para o 482, Home Affairs pede referências no papel timbrado do empregador, com nome, cargo e contato de quem assina, o seu cargo e as datas, cobrindo tempo suficiente para mostrar o seu nível de habilidade. Se o seu cargo no Brasil tinha outro nome, leia por que as suas funções contam mais que o nome do cargo. Opcional: um perfil verificado no Talent Tabloid permite que empregadores confiram a sua experiência e pode ajudar a candidatura a se destacar.
O CV do 482 traz todo o histórico de trabalho e estudo, com datas e cargos, de pelo menos os últimos 5 anos, e as datas devem bater com a CTPS e as referências. Para montar a versão em inglês, use o Build AI CV. Depois compare com as vagas com patrocínio de visto, como a de carpinteiro (Carpenter) em Christchurch ou a de marmorista (Stonemason) em Sydney.
Exame médico: só com médico credenciado
A maioria dos candidatos precisa cumprir o requisito de saúde da Austrália, pensado sobretudo contra a tuberculose ativa. Fora do país, o exame é feito com um médico ou clínica credenciados por Home Affairs, e você precisa de um HAP ID para marcar os exames de saúde. Na Nova Zelândia, raio X e exames também são feitos com médicos da lista da INZ, se houver um no seu país, e só eles ou outros médicos registrados podem receber pelo exame: a INZ nunca cobra isso diretamente.
Antes de embarcar: avise a Receita Federal
A Comunicação de Saída Definitiva do País é para quem sai do Brasil para morar fora. Ela vai da data de saída até o último dia de fevereiro do ano seguinte, online e sem custo, e pede CPF, recibo da última declaração de imposto de renda, título de eleitor e os documentos dos dependentes. Ela não substitui a Declaração de Saída Definitiva, entregue no ano seguinte. Sem a comunicação, você só vira não residente depois de 12 meses seguidos fora. O saque do FGTS, se houver, é pedido só pelo app do FGTS.
Em que ordem montar a pasta
- Confira passaporte, CPF e pendências eleitorais ou militares.
- Baixe a Carteira de Trabalho Digital e peça as cartas de referência.
- Monte o CV com os mesmos cargos e datas das referências.
- Junte as certidões de casamento, divórcio ou mudança de nome.
- Perto do pedido, tire as certidões de antecedentes que a orientação oficial pede para o seu caso.
- Mande traduzir com tradutor juramentado, ou com tradução certificada para a INZ.
- Faça o exame médico quando ele for pedido.
- Depois de sair, faça a Comunicação de Saída Definitiva.
O pedido pode demorar depois de enviado; leia o que a demora na análise de vistos de trabalho significa para quem está fora da Austrália.
Erros comuns e como evitar
- Levar só a certidão da PF para a Austrália, quando a Embaixada pede as da Justiça Federal e Estadual a quem mora no Brasil.
- Tirar certidões cedo demais: a INZ quer atestados com menos de 6 meses no envio.
- Tradução automática ou feita em casa, que a Embaixada e a INZ recusam.
- Nome escrito de formas diferentes sem a certidão que explica a mudança.
- Contar só com a CTPS para provar anos como autônomo.
- Pagar por patrocínio: na Austrália é ilegal um empregador pedir dinheiro em troca do patrocínio do visto, e na Nova Zelândia o empregador não pode cobrar pela vaga.
Há também um guia em inglês sobre cinco erros evitáveis que derrubam um pedido de 482 ou AEWV.
Perguntas frequentes
A certidão da Polícia Federal basta para um pedido na Austrália?
Nem sempre. A Embaixada da Austrália no Brasil diz que quem mora no Brasil deve apresentar certidões da Justiça Federal e da Justiça Estadual, e que a checagem da Polícia Federal é para quem viveu no Brasil com visto de visitante. Confira a página da Embaixada antes de pedir as certidões.
Todos os documentos precisam de tradução juramentada?
Não. Fora da Austrália, ela é exigida para documentos oficiais, como certidões, carteira de identidade e atestados de antecedentes. Para os demais, a Embaixada aceita uma tradução precisa, e passaporte, extratos bancários e declarações de imposto de renda podem dispensar tradução se ficarem claros em inglês.
Preciso apostilar os documentos para o pedido de visto?
A Embaixada da Austrália diz que você não precisa entregar cópias autenticadas. A Apostila da Haia só confirma a origem do documento e vale entre países da Convenção, que incluem Brasil, Austrália e Nova Zelândia. Antes de pagar, pergunte a quem vai receber o documento se ela é necessária.
Por quanto tempo vale o exame médico do visto 482?
Home Affairs diz que os resultados dos exames de saúde do 482 costumam valer 12 meses, e recomenda organizar os exames antes de enviar o pedido para reduzir o tempo de análise. Fora da Austrália, o exame é feito só com médico ou clínica credenciados.
Quando faço a Comunicação de Saída Definitiva do País?
A partir da data em que você sai do Brasil até o último dia de fevereiro do ano seguinte, online e sem custo. Ela não substitui a Declaração de Saída Definitiva do País, entregue no ano seguinte dentro do prazo do imposto de renda.
Pontos principais
- O nome do passaporte é a referência para certidões, traduções, referências e CV.
- Para a Austrália, quem mora no Brasil apresenta certidões da Justiça Federal e Estadual.
- Documentos oficiais pedem tradutor juramentado no Brasil ou NAATI na Austrália.
- CTPS Digital, cartas em papel timbrado e um CV de 5 anos provam a experiência.
- Exame só com médico credenciado; a saída definitiva se comunica até fevereiro do ano seguinte.
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