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Work and Holiday na Austrália para brasileiros: os requisitos do 462 e a cota de 500 vistos

Visa guide · 2026-10-24 · 12 min read

Jovem brasileira organiza passaporte e documentos à mesa da cozinha, ao lado de um laptop, sob a luz da manhã.

Para conseguir o Work and Holiday na Austrália, o brasileiro precisa ter entre 18 e 30 anos, pelo menos 2 anos de estudo concluídos depois do ensino médio, inglês funcional comprovado por uma prova feita nos últimos 12 meses e dinheiro para se manter, em geral cerca de AUD 5.000, além da passagem de volta. O pedido é feito de fora da Austrália, e só pode ser enviado quando a cota anual de 500 vistos para o Brasil está aberta. Em 22 de outubro de 2026, essa cota aparecia como pausada no site do governo australiano.

O que é o Work and Holiday e por que não é o 417

O Work and Holiday (subclasse 462) é o visto de férias e trabalho que a Austrália oferece a jovens de alguns países. O Brasil está na lista de passaportes aceitos para o primeiro 462, e o pedido não passa por sorteio: o sorteio prévio vale só para passaportes da China, da Índia e do Vietnã.

Muita gente procura pelo Working Holiday (subclasse 417), mas o Brasil não está na lista desse visto. Para o passaporte brasileiro, a porta é sempre o 462, e os requisitos dele são diferentes, principalmente em estudo e em inglês.

Requisitos do visto 462 para quem tem passaporte brasileiro

A página oficial do primeiro Work and Holiday (subclasse 462) no site da Home Affairs reúne as regras. A tabela resume o que vale para o Brasil.

RequisitoO que a Home Affairs pedeComo se preparar no Brasil
IdadeDe 18 a 30 anos, com o pedido feito antes de completar 31Conte o prazo pelo horário da costa leste australiana, não pelo de Brasília
EstudoPelo menos 2 anos de estudo pós-secundário concluídosSepare diploma ou histórico escolar do curso técnico ou da faculdade
InglêsInglês funcional, com prova feita nos 12 meses antes do pedidoMarque IELTS ou PTE em centro de testes, nunca a versão em casa
Carta do governoNão é exigida para o BrasilNenhum documento extra do governo brasileiro
DinheiroEm geral cerca de AUD 5.000 para o começo, mais a passagem de saídaGuarde extratos bancários recentes no seu nome
Onde estarFora da Austrália no pedido e na decisãoFaça o pedido do Brasil ou de outro país

Idade: o prazo termina um dia antes dos 31

O candidato ao primeiro 462 precisa ter de 18 a 30 anos, inclusive. O pedido tem de ser enviado até a meia-noite do dia anterior ao aniversário de 31 anos, no horário da costa leste australiana (AEST ou AEDST). Por causa do fuso, deixar para o último dia é arriscado.

Estudo: 2 anos depois do ensino médio

Para o passaporte brasileiro, a exigência é ter concluído com sucesso pelo menos 2 anos de estudo pós-secundário, ou seja, estudo feito depois do ensino médio (o Year 12 australiano) ou equivalente. O que conta é ter os 2 anos de fato concluídos e comprovados.

Documentos em português precisam de tradução para o inglês, entregue junto com o original. A Embaixada aceita uma tradução precisa (não juramentada) para documentos como diploma e histórico, mas não aceita tradução ruim ou feita em tradutor online, e recomenda a juramentada em caso de dúvida. O nosso checklist de documentos para trabalhar na Austrália ajuda a organizar essa parte.

Inglês funcional: a nota e o prazo de 12 meses

O 462 pede pelo menos inglês funcional (Functional English). Para provas feitas a partir de 7 de agosto de 2025, a página de inglês funcional da Home Affairs aceita, entre outras, estas notas:

  • IELTS Academic ou General Training: média de pelo menos 4,5;
  • PTE Academic: nota geral de pelo menos 24;
  • CELPIP General: nota geral de pelo menos 5;
  • MET ou LANGUAGECERT Academic: nota geral de pelo menos 38;
  • OET: nota geral de pelo menos 1020.

O detalhe que pega muita gente: a prova precisa ter sido feita nos 12 meses antes do pedido, mesmo que a sua nota seja bem maior que a mínima.

A Home Affairs não aceita provas feitas inteiramente online, em casa. No Brasil, hoje, só o IELTS Academic pode ser feito em casa, e essa versão não vale para o visto. O British Council lista centros de IELTS em Salvador, São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Recife e Maringá, e no dia da prova a CNH não é aceita como documento.

Se o seu inglês está enferrujado, treinar com simulados de IELTS e PTE no PractiseNow ajuda a descobrir em que parte você perde pontos antes de pagar a prova. Para comparar as provas com calma, veja o nosso guia sobre teste de inglês e avaliação de qualificações na Austrália.

Dinheiro, família e entradas anteriores

A Home Affairs diz que o candidato precisa ter dinheiro suficiente, em geral cerca de AUD 5.000 para a fase inicial, mais o valor da passagem para sair da Austrália. Extrato bancário em português pode dispensar tradução quando fica claro para quem só lê inglês.

O primeiro 462 é pedido sozinho, sem cônjuge, familiares ou filhos dependentes no mesmo pedido. E não pode ter entrado na Austrália antes com um 462 ou um 417.

A cota de 500 vistos: aberta, pausada ou fechada

O Brasil tem uma cota anual de 500 primeiros vistos Work and Holiday. A situação aparece na página de status das cotas por país da Home Affairs, e em 22 de outubro de 2026 o Brasil estava marcado como pausado (paused).

  • Aberta: dá para enviar o pedido normalmente.
  • Pausada: os pedidos estão suspensos por enquanto, e a cota pode reabrir mais tarde no mesmo ano do programa.
  • Fechada: todas as vagas foram preenchidas e a cota não reabre naquele ano.

As cotas dos países com limite abrem a cada ano do programa em 2 de julho, no horário da costa leste australiana. Não há cota para o segundo nem para o terceiro Work and Holiday: o limite vale só para o primeiro visto.

Na prática, quem está perto dos 31 anos precisa olhar para a cota e para o próprio aniversário ao mesmo tempo. Se a cota reabrir quando você já tiver 31, a chance passou. Deixe a prova de inglês, as traduções e o dinheiro prontos antes, para pedir assim que o status mudar. O nosso artigo sobre a pausa no working holiday que atingiu brasileiros mostra como isso afeta quem trabalha no interior.

Quanto custa e quanto tempo leva

A taxa base do primeiro Work and Holiday é de AUD 840,00. O segundo e o terceiro custam AUD 1.000,00 cada, conforme a tabela de preços de vistos da Home Affairs.

A Home Affairs espera que o processamento leve, em média, cerca de três meses, e pede que você não compre passagem nem assuma compromissos de viagem, trabalho ou estudo antes de o visto sair. Depois de aprovado, você tem 12 meses para entrar na Austrália, prazo que não é prorrogado. Lá, pode ficar até 12 meses, saindo e voltando quando quiser.

Para montar o orçamento completo, o artigo sobre quanto custa ir trabalhar na Austrália ajuda a separar o que é taxa oficial do que é custo de vida.

Como pedir o Work and Holiday, passo a passo

  1. Confira na página de status se a cota do Brasil está aberta. Se estiver pausada, prepare os documentos e acompanhe a página.
  2. Calcule o seu prazo de idade: o pedido precisa entrar até a véspera dos 31 anos, no horário australiano.
  3. Junte o diploma ou o histórico que prova os 2 anos de estudo pós-secundário, com tradução para o inglês.
  4. Faça o IELTS, o PTE ou outra prova aceita em um centro de testes, e confira se ela terá menos de 12 meses no dia do pedido.
  5. Separe extratos bancários que mostrem cerca de AUD 5.000 e o valor da passagem de volta.
  6. Envie o pedido pelo ImmiAccount, o único site oficial para pedir visto australiano, estando fora da Austrália.
  7. Espere a decisão sem comprar passagem e, quando o visto sair, confira a concessão no VEVO: um visto que não aparece lá provavelmente é falso.

A Home Affairs avisa que quem promete visto, residência permanente ou cidadania está enganando você, e que e-mails que dizem vir do departamento sem terminar em .gov.au são golpe.

Trabalhar com o 462: o que o visto permite

Com o Work and Holiday, você pode fazer qualquer tipo de trabalho, mas em geral só por 6 meses com o mesmo empregador. Também pode estudar por até 4 meses (17 semanas). A própria Home Affairs lembra que, se o objetivo principal da estadia é trabalhar, o caminho certo é um visto de trabalho.

Quem trabalha paga imposto. Para working holiday makers, a tabela do ano fiscal 2025-26 cobra 15 centavos por dólar até AUD 45.000. O empregador também deposita a superannuation acima de certo valor, que você pode resgatar ao sair do país, com 65% de imposto para quem teve esse visto. O nosso guia de como sacar a superannuation ao ir embora explica o processo.

A Home Affairs recomenda fortemente um seguro saúde, porque você paga todos os custos médicos. O Brasil não está na lista de acordos de saúde recíproca da Services Australia, então o seguro entra no orçamento desde o primeiro dia.

Segundo visto: 3 meses de trabalho específico

Fazer 3 meses de trabalho específico do 462 (specified work) no primeiro visto permite pedir um segundo Work and Holiday. Confira a lista atual de atividades e regiões no site da Home Affairs antes de aceitar uma vaga contando com ela. Para quem pensa em colheita ou fazenda, as vagas e os guias da Seasonal Jobs Australia, com trabalho sazonal no campo ajudam a planejar a temporada.

Working holiday não é visto patrocinado

O 462 é um visto de férias com permissão de trabalho, não um patrocínio. Trabalhar com ele não abre, sozinho, um caminho para ficar no país.

Se o seu plano é uma carreira na Austrália, o visto que faz isso é outro: o Skills in Demand (subclasse 482), que começa com uma oferta de um empregador disposto a patrocinar. Veja o nosso guia descomplicado do visto Skills in Demand (482) e as vagas com patrocínio de visto na Austrália e na Nova Zelândia.

E a Nova Zelândia? A Immigration New Zealand (INZ) tem o Brazil Working Holiday Visa, com 300 vagas por ano e exigência de pelo menos NZD 4.200 para as despesas. Em 22 de outubro de 2026, a página informava que esse visto estava fechado para 2026 e que é possível pedir no ano que vem.

Erros comuns ao pedir o Work and Holiday

  • Procurar o visto 417. O Brasil não está na lista dele; o pedido certo é o 462.
  • Usar um teste de inglês vencido. A prova precisa ter menos de 12 meses no dia do pedido, mesmo com nota alta.
  • Fazer o IELTS em casa. Provas feitas inteiramente online não valem para a Home Affairs.
  • Contar estudo que não terminou. São 2 anos de estudo pós-secundário concluídos com sucesso, com documento que prove isso.
  • Esperar a cota abrir para começar a preparar. Quando o status muda, quem já tem tudo pronto sai na frente, e quem está perto dos 31 pode perder o prazo.
  • Pagar quem promete o visto. O pedido é feito pelo ImmiAccount, e quem promete aprovação está enganando você.

Perguntas frequentes

Brasileiro pode pedir o Working Holiday (subclasse 417)?

Não. O Brasil não está na lista de passaportes do Working Holiday (subclasse 417). Para o brasileiro, o caminho é o Work and Holiday (subclasse 462), com requisitos próprios de estudo e de inglês.

Que nota de IELTS ou PTE o Work and Holiday exige?

O mínimo é o inglês funcional (Functional English). Para provas feitas a partir de 7 de agosto de 2025, isso significa média 4,5 no IELTS (Academic ou General Training) ou nota geral 24 no PTE Academic, entre outras opções. A prova precisa ter sido feita nos 12 meses antes do pedido.

Posso fazer o pedido do 462 estando na Austrália como estudante?

Não. No primeiro Work and Holiday, é preciso estar fora da Austrália quando faz o pedido e quando a decisão sai. Quem já entrou no país com um 462 ou um 417 também não pode pedir o primeiro visto de novo.

O que acontece se a cota do Brasil estiver pausada?

Enquanto o status está como pausado, não dá para fazer o pedido. A Home Affairs explica que uma cota pausada pode reabrir no mesmo ano do programa; já uma cota fechada só volta no ano seguinte, que começa em 2 de julho.

Dá para trazer cônjuge ou filhos com o Work and Holiday?

Não no mesmo pedido. O primeiro 462 é pedido sozinho, sem familiares nem filhos dependentes. Se o cônjuge também cumprir os requisitos, ele faz o próprio pedido, sujeito à mesma cota.

Pontos principais

  • O brasileiro pede o Work and Holiday (subclasse 462), não o 417.
  • É preciso ter de 18 a 30 anos, 2 anos de estudo pós-secundário e inglês funcional com prova de menos de 12 meses.
  • A cota anual do Brasil é de 500 vistos, e em 22 de outubro de 2026 estava pausada.
  • A taxa do primeiro 462 é de AUD 840,00, e a Home Affairs espera cerca de AUD 5.000 para o começo.
  • O 462 não é patrocínio: para ficar com um emprego, o caminho é um visto como o 482.

Última verificação: 24/10/2026 nas páginas oficiais citadas acima.

Cada caso é diferente: agende uma consulta e os agentes de migração registrados (MARA) com quem trabalhamos vão analisar o seu.

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